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Neste canal público, a Empiricus convida ao diálogo. A cada dia, ideias que circundam nossos calls e dão cara aos relatórios. Como o mercado é de interações, aguardamos seus comentários.

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Crédito dos textos:
Marcos Elias, CNPI
Rodolfo Amstalden, CNPI
Roberto Altenhofen, CNPI

18/01/2012

Os graus de liberdade emergentes - Nós temos escolhas que os outros não têm


Se você gosta de calls macro ou de análises top-down para investir em ações, procure se interessar por países com graus de liberdade. Nações com um farto espectro de possibilidades para implementar medidas de política fiscal e monetária são premiadas pelo mercado. Elas têm relativo controle sobre as condições econômicas, em vez de se sujeitarem ao posto passivo de reféns.

A Europa atual tem pouquíssimos graus de liberdade. Sua política monetária está amarrada pelo BCE alemão e falta o consenso necessário ao altruísmo dos instrumentos fiscais. Hoje, a principal escolha disponível é muito mais radical do que reza o bê-a-bá econômico: estar dentro ou fora da zona do euro? Defaultar ou entregar-se à recessão?

Os americanos não vivem situação muito melhor. A diferença, entretanto, é vantajosa. Eles tinham sim um buffer respeitável de graus de liberdade quando a crise estourou. Agiram com urgência, esgotaram a munição e agora esperam para ver se foi o bastante. Não dá para ir além disso, mas o que foi feito em termos de estímulo tem seu valor e ainda pode fazer a diferença sobre o nível de atividade.

A China, por sua vez, é o país com maior número de graus de liberdade dentre todos. Por isso é que a desaceleração de seu PIB, noticiada na madrugada de ontem, não derrubou as Bolsas internacionais. Ao contrário, macroeconomistas comemoram a taxa de 8,9% YoY, acima das expectativas de 8,7%. E comemoram também a impressão de que o hard landing é uma hipótese proibida por lá.

Dado o controle decisório exercido no país, e dada a latência das folgas monetárias e fiscais, cremos que o governo chinês jamais permitirá um tropeço econômico neste ano de troca das cadeiras oficiais. É bem verdade que a Europa anda atrapalhando as exportações. Por isso, voltam-se ao mercado interno, ao corte dos juros e às políticas de investimento público. Problem told, problem solved!

No Brasil, felizmente, a coisa é parecida com a China. Podemos reduzir a Selic e, se necessário, abusar um pouquinho do orçamento governamental. Quem é que está bombando o salário mínimo em ano de crise? Nós! Quem é que percebe o desemprego em all time lows? Nós! Quem é que pretende aumentar a FBCF? Nós!

Então, é inevitável que o gringo venha para cá nos visitar. O mesmo gringo comprado em IED e renda fixa terá também que bater à porta da Bovespa, render-se ao crescimento de nossas empresas. Esse é o verdadeiro trigger esperado pelas ações tupiniquins. Estamos baratos e temos graus de liberdade. Basta, agora, se aproveitar disso.

2 comentários:

Anônimo disse...

Marcão!!

O pessoal não quer saber de economia e politicas macroprudenciais, o povo quer calls quentes!!!

O que tu tá comprando? oq esta shoteando???

Abs amigo!!!

Anônimo disse...

É...mas, se fazer um histórico de posts....vai ver que recomendam hedgear a carteira desde os 48K. Fico um pouco confuso com suas manifestações. Não são coerentes, no tempo.

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