Se você gosta de calls macro ou de análises top-down para investir em ações, procure se interessar por países com graus de liberdade. Nações com um farto espectro de possibilidades para implementar medidas de política fiscal e monetária são premiadas pelo mercado. Elas têm relativo controle sobre as condições econômicas, em vez de se sujeitarem ao posto passivo de reféns.
A Europa atual tem pouquíssimos graus de liberdade. Sua política monetária está amarrada pelo BCE alemão e falta o consenso necessário ao altruísmo dos instrumentos fiscais. Hoje, a principal escolha disponível é muito mais radical do que reza o bê-a-bá econômico: estar dentro ou fora da zona do euro? Defaultar ou entregar-se à recessão?
Os americanos não vivem situação muito melhor. A diferença, entretanto, é vantajosa. Eles tinham sim um buffer respeitável de graus de liberdade quando a crise estourou. Agiram com urgência, esgotaram a munição e agora esperam para ver se foi o bastante. Não dá para ir além disso, mas o que foi feito em termos de estímulo tem seu valor e ainda pode fazer a diferença sobre o nível de atividade.
A China, por sua vez, é o país com maior número de graus de liberdade dentre todos. Por isso é que a desaceleração de seu PIB, noticiada na madrugada de ontem, não derrubou as Bolsas internacionais. Ao contrário, macroeconomistas comemoram a taxa de 8,9% YoY, acima das expectativas de 8,7%. E comemoram também a impressão de que o hard landing é uma hipótese proibida por lá.
Dado o controle decisório exercido no país, e dada a latência das folgas monetárias e fiscais, cremos que o governo chinês jamais permitirá um tropeço econômico neste ano de troca das cadeiras oficiais. É bem verdade que a Europa anda atrapalhando as exportações. Por isso, voltam-se ao mercado interno, ao corte dos juros e às políticas de investimento público. Problem told, problem solved!
No Brasil, felizmente, a coisa é parecida com a China. Podemos reduzir a Selic e, se necessário, abusar um pouquinho do orçamento governamental. Quem é que está bombando o salário mínimo em ano de crise? Nós! Quem é que percebe o desemprego em all time lows? Nós! Quem é que pretende aumentar a FBCF? Nós!
Então, é inevitável que o gringo venha para cá nos visitar. O mesmo gringo comprado em IED e renda fixa terá também que bater à porta da Bovespa, render-se ao crescimento de nossas empresas. Esse é o verdadeiro trigger esperado pelas ações tupiniquins. Estamos baratos e temos graus de liberdade. Basta, agora, se aproveitar disso.


2 comentários:
Marcão!!
O pessoal não quer saber de economia e politicas macroprudenciais, o povo quer calls quentes!!!
O que tu tá comprando? oq esta shoteando???
Abs amigo!!!
É...mas, se fazer um histórico de posts....vai ver que recomendam hedgear a carteira desde os 48K. Fico um pouco confuso com suas manifestações. Não são coerentes, no tempo.
Postar um comentário