Qualquer conta de valor presente é sensível aos riscos que permeiam o fluxo de caixa e à distribuição temporal desses fluxos. Através da sensibilidade a essas duas variáveis, percebemos que o adiamento da solução para os problemas políticos e econômicos da zona do euro custa caro às Bolsas de todo o mundo. Quanto mais demora, maiores os riscos de fracasso, maior o sinal negativo no presente e maior a time-dilution dos benefícios pós-tormenta.
Ainda assim, podemos festejar o ouro de tolo que a macroeconomia global distribui aos seus fiéis, como agradecimento pelo dízimo de cada dia. Talvez seja por isso que as Bolsas estejam subindo nestes dois primeiros pregões de 2012, pela vontade de ser feliz em novos tempos, deixando o sofrimento para trás. Tem muita gente acreditando, por exemplo, que o encontro entre Merkel e Sarkozy no dia 9 de janeiro realmente servirá para alguma coisa. Are you serious? Quantas vezes esses dois se reuniram em 2011, sem qualquer repercussão concreta?
Em vez de sonhar com discursos de paz, preferimos olhar para coisas mais concretas. As principais economias do mundo possuem US$ 7,6 trilhões vencendo em 2012. E desde já, pois a agenda de janeiro está repleta de rolagens de títulos de dívida europeia, com destaque para vendas gregas e italianas. Hoje mesmo, temos leilões de papéis alemães e portugueses. Não há como imaginar yields tranquilos para essas colocações, ainda mais depois da Espanha ter admitido que seu déficit público de 2011 ficou em 8,2%, bem acima dos 6% previamente sinalizados. Confess, confess, confess!
Apesar disso, investidores atentos aos ciclos eleitorais apostam que viveremos este ano dentro de uma ilha de redenção. A corrida presidencial nos EUA e na França acabará colocando mais alguns bilhões de dólares e euros para rodar nos mercados, realimentando as poças de liquidez. É óbvio que ações e commodities podem se beneficiar, mas só no curto prazo. A essa altura, quem não souber os limites do quantitative easing que conte outra.
With all that, queremos dizer o seguinte: não há solução em vista. Logo, este ano que vos fala será, na mais bela das hipóteses, um ano ao estilo de 2009, embora menos intenso que aqueles 83% de alta para o Ibovespa. Será um ano que buscará emprestar motivos alheios para tentar subir, mas que não se erguerá por méritos próprios. Não podemos confiar nesse tipo de gente.
Pelo que temos sentido, duas palavras definirão o status da zona do euro neste primeiro semestre de 2012: refinanciamento e implantação. O refinanciamento tem a ver com o quanto os investidores botam de confiança na recuperação versus quanta grana ainda precisa ser colocada para que as nações periféricas continuem respirando, até que seus ajustes fiscais passem a fazer efeito. Portanto, o refinanciamento está intimamente correlacionado com a capacidade de implantação de medidas rápidas e efetivas, que reconheçam a gravidade dos problemas em pauta e que os aliviem.
Por enquanto, vimos apenas (e com ênfase) o lado de quanta grana ainda precisa ser colocada. As medidas rápidas e efetivas ainda não apareceram sequer em promessas. Assim, a confiança dos investidores na recuperação se esvai. Temos presenciado uma Europa assimétrica, repleta de forças demandantes, mas sem ofertas proporcionais. A lot to take and nothing to give.
Nós e muitos bondholders estamos fartos desse relacionamento unilateral. A zona do euro está em crise há três anos consecutivos. Este será o quarto ano, obviamente. Com todas as consequências que um quarto ano impõe: recessão econômica, dívidas cada vez mais caras e pedidos afobados de socorro. Uma dor agonizante, conforme havíamos dito; esta é a dor que os europeus escolheram para si.


5 comentários:
Os FHC's de lá vai fuder com as Europas.
O ano virou, o blog conseguiu sair da mono tematica Marfrig... ate a bolsa subiu!!!
Mas e o Market Mover?!?
O filho do Marcao quebrou a filmadora JVC de voces no Reveillon??
Isso aqui ta chato pacas po!!!
Abracos de um fiel leitor/telespectador
Perguntaria Avalone:
Seria Deep Value == Value Trap? A HRTP3 entrou 2012 como saiu de 2011, derretendo todo dia.
Cadê os posts do Paulo Galla???
pensei que a filmadora fosse a TekPix
um abraço para o Valentin Terra
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