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Neste canal público, a Empiricus convida ao diálogo. A cada dia, ideias que circundam nossos calls e dão cara aos relatórios. Como o mercado é de interações, aguardamos seus comentários.

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Crédito dos textos:
Marcos Elias, CNPI
Rodolfo Amstalden, CNPI
Roberto Altenhofen, CNPI

16/01/2012

Esteja ciente, seja robusto - Posicione-se de forma a admitir riscos não contemplados


Matemáticos dedicam-se à definição de certeza. Filósofos se concentram nas questões relacionadas à incerteza. Aos economistas, resta vagar entre esses dois extremos, numa busca insólita por tratar das incertezas da realidade econômica através de ferramentas quantitativas que se prestam à certeza. Nada animador...

Nesse contexto destinado à frustração epistemológica, só há uma escapatória oferecida ao economista moderno, que ignora a inteligência da política econômica fundada por Smith, Ricardo e Marx: a de se alienar. Alienar-se, neste caso, significa ignorar variáveis não-observadas ou não-observáveis. Aplicamos um reducionismo para que a realidade se encaixe no formato dos modelos pré-fabricados, e não o contrário.

Embora sirva à satisfação do ego, esse reducionismo implica altíssimos custos quando a represa dos modelos se rompe, provocando inundações empíricas. Bancos e seguradoras gigantescos quebram, trabalhadores perdem seus empregos, financistas se suicidam. Em âmbito público ou privado, são crises radicais e binárias, em que períodos de grande moderação convertem-se, de uma hora para outra, em grande depressão.

Como evitar isso? Não dá, esqueça! Não dá pra evitar. De quando em quando, os arcabouços teóricos da economia atingem a exaustão e a realidade cobra sua conta. Contudo, a compreensão do problema per se abre margem à valiosa mitigação de impactos. Em vez de encarar as proposições econômicas como verdadeiras ou falsas, prefira uma postura que contraponha a fragilidade com robustez. Seja robusto!

O investidor robusto sabe - inequivocamente - que o mundo vai acabar uma hora ou outra, como na quebra da Lehmann. Ele sabe que a classe dos financistas está alinhada rumo ao precipício, enquanto pensa estar na fila de um show da Broadway. Então, de posse desse “segredo”, ele admite sua sujeição e se prepara. Armas e barões assinalados para a guerra.

Prepara-se como?

Apostando, com poucos recursos, em opções fora do dinheiro. Apostando em volatilidade. Investindo em títulos de dívida de países com yields acima dos fundamentos soberanos. Fazendo long & short entre moedas robustas (franco suíço) versus frágeis (euro). Comprando barato ações absolutamente abandonadas ou incompreendidas pelo mercado. Comprando ações de empresas com bom management e operacionais self-winded. Vendendo ações de empresas com elevada alavancagem e que não podem responder dúvidas. E por aí vai.

Percebe-se que tais recomendações fogem à média e ao trivial. Você precisa estar nos extremos da distribuição para enxergá-las e concretizá-las. De fato, a maioria das boas sugestões de investimento implica alguma abordagem extrema, e é exatamente por isso que são bem remuneradas. Temos um prêmio aos que se prestam a pensar de maneira diferente.

O buy & hold de papéis fundamentalistas deep value parece ser uma ótima maneira de ficar rico ao longo de cinco a dez anos. Contudo, pouquíssimos investidores - até mesmo aqueles que se julgam xiitas - conseguem manter uma ação em carteira por um ou dois anos sequer. Fácil no discurso, dificílimo na prática.

É preciso ser robusto para ir até o fim! Corpo fechado! Você não ignora os downsides, mas sabe conviver com eles. Como uma ponte que precisa balançar para não rachar ao meio.

Os ricos tornam-se mais ricos, e os pobres tornam-se mais pobres, porque aqueles são robustos enquanto esses são frágeis.

Você muda de ideia em Bolsa a cada semana? Desiste no meio do pregão? Destrói seu retorno líquido com tanta corretagem? Xinga as influências que montaram sua carteira? Vende ações para pagar a conta de luz? Então, você é frágil.

Você mantém suas convicções a despeito do mark to market? Usa as altas como incentivo para estudar mais o case? Paga R$ 1,99 de corretagem a cada década? Reconhece sua própria responsabilidade nas decisões financeiras que toma? Então, parabéns: você é robusto.

7 comentários:

Anderson disse...

Grande mestre, quando você fala de opções fora do dinheiro está se referindo às calls, puts ou ambas? Você acha que um straddle pode ser uma boa forma de pegar uma carona nessa volatilidade toda?

Valentim Terra, o Rei das Blue Chips disse...

"Parem de nos xingar pela indicação strong buy de inep4. Sejam robustos! Comprem inep4 agora a 1,99 e guardem por uma década ou mais. Afinal, é um case de deep value incompreendido pelo mercado.

Se vc perdeu grana com inep4, não seja xiita a ponto de suicidar-se.

Afinal, a culpa é toda sua".

Anônimo disse...

Ente frágil e robusto, prefiro ser anti-frágil na crise (e robusto ma bonança)....

Valentim Terra, o Rei das Blue Chips disse...

Esse comentário que escrevi aí acima é a mensagem subliminar que está por detrás do texto do post da Empiricus.

Gustavo disse...

Putz, obrigado por esclarecer Valentin!!!!!!

Sua carteira deve ter: 58 PETR4, 100 OGXP3 e 19 VALE5, e vem falando que é o Rei das Blue Chips. Você deveria trocar de apelido, minha sugestão seria o Rei do Fracionário das Blue Chips.

Abraço!

Atirando Inepariano disse...

gente, segui os conselhos do Valentim Terra sem ele nem me conhecer e ganhei um dinheirão ano passado

e mais há um boato Elias vai ser escolhido para representar os minoritários no conselho da Inepar

será que agora vai a dez reais ?

Rodrigo/MG disse...

Valentim Terra se vc não explicasse sua piada acho que ninguém aqui que possui INEPAR (eu tenho) entenderia.
Valeu mesmo!

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