Cara Maria Helena,
Permita-me apresentar: somos a Empiricus, casa de research independente, dissociada de bancos ou corretoras. Eu sou o Marcos Elias. Bem, há pelo menos dois "Marcos Elias" no mercado, e isso geralmente causa uma certa confusão: Marcus Alberto Elias, empresário na Laep, e Marcos Eduardo Elias, quem vos fala, analista de ações. Para maiores referências minhas, por favor, tome-as com Alexandre Koch, amigo que temos em comum: ele e eu fomos sócios na Latour Capital.
Encontrei na forma de uma carta aberta o melhor instrumento para lhe fazer um pedido, ou de lhe dar uma sugestão: regulamente e incentive o desenvolvimento de estruturas de research independente no país. Estamos sozinhos, e isolados! Entenda a nossa questão, que é a metonímia do drama que vivemos no mercado de ações brasileiro: praticamente todos os dias recebemos em nossa casa, instalada no Itaim em São Paulo, empresários ou analistas, de sell side ou de buy side, que nos procuram no seguinte tom:
"Senhores, vocês são os únicos na posição de investigar a seguinte questão que coloco aqui contra os controladores da empresa tal...", e, invariavelmente, emendam:
"Sell side nenhum jamais publicará algo desta natureza".
Aqui somos em apenas três analistas sênior! Rodolfo Amstalden e Roberto Altenhofen, além de mim. E não me orgulho - mas também não me esquivo - em afirmar que somos a única voz deste pessoal. O mercado merece mais interlocução, fora da agenda de banco de investimentos.
Sabe, quando começamos, amigos do mercado nos diziam que não conseguiríamos sobreviver, pagar as contas, posto que "research no Brasil é de graça". Mas pasme que nosso equilíbrio financeiro foi atingido em menos de três meses, e hoje contamos com mais de 100 clientes, dentre eles 14 corretoras e uma dezena de assets. Ou seja, não estamos falando de a CVM estimular o desenvolvimento de estruturas que não parem em pé economicamente, embora nos EUA, como é de seu conhecimento, houve fomento, inclusive financeiro, para a criação desta indústria. Hoje, lá, as melhores casas de pesquisa são as independentes.
É importante que ganhemos corpo e força institucional, sob o risco de nos extinguirmos como uma excrescência ou uma excentricidade: "por que vocês estão fazendo isso?".
Para te exemplificar, outro dia entrevistaram o controlador de um frigorífico listado em bolsa. O jornalista perguntou-lhe porque os analistas contestavam a consistência contábil de seus balanços. De pronto, o empresário retrucou: "não são analistas, é apenas uma casa, a Empiricus, e vamos processá-la!". Neste caso particular ele estava errado, pois a Goldman Sachs já havia identificado e relatado uma série de incongruências nos balanços da empresa em questão. Mas depois o analista autor do report saiu da instituição e tudo voltou à "normalidade". Mas entende como ficamos? Estamos isolados! E isso nos enfraquece. Ademais, não temos musculatura para nos aprofundarmos em todos os cases dos quais suspeitamos. O que nos força, em certo grau, a agir de forma desproporcional.
Queremos pares! Parte de nossa missão aqui é inspirar que novos venham conosco. Mas precisamos, visceralmente, que a CVM nos dê a forma. Podemos contar contigo?
Um forte abraço.
Blog
- Empiricus
- Neste canal público, a Empiricus convida ao diálogo. A cada dia, ideias que circundam nossos calls e dão cara aos relatórios. Como o mercado é de interações, aguardamos seus comentários.
Para maiores informações, acesse também o site da Empiricus no link www.empiricus.com.br
Crédito dos textos:
Marcos Elias, CNPI
Rodolfo Amstalden, CNPI
Roberto Altenhofen, CNPI
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Concordo com a Empiricus. A atividade de indicação e análise de ações é objeto de uma reserva de mercado via Processo CVM nº RJ-2010-1108 e INSTRUÇÃO CVM 483, de 6 de julho de 2010.
Eu acho que a CVM perde ótima oportunidade de ampliar a difusão do conhecimento e da propaganda da bolsa se permitisse que mais pessoas pudessem dar cursos e fazer indicações remuneradas, sem ter que arcar com custos de APIMEC e CVM. A relação custo/benefício do cadastramento na APIMEC pode não ser favorável, já que no Brasil poucas pessoas iriam pagar pelas informações . O ideal para a Bovespa , para o desenvolvimento do mercado e para todos é que essa reserva de mercado fosse revista. Deveria ser permitido a qualquer pessoa cobrar por cursos, indicações baseadas em AF ou AT, desde que essas pessoas divulgassem com transparência suas credenciais acadêmicas e profissionais. Caberia às pessoas decidirem se comprariam relatórios de profissionais com CNPI ou de outras pessoas.
Outro problema relacionado a isso é a independência do analista CNPI. A grande maioria deles tem relação de dependência com instituições, razão pela qual a certificação CNPI não garante uma boa análise para o comprador de relatórios . Basta pesquisar na internet sobre esse assunto.
Escrevi um texto sobre isso em meu blog, no link
http://reidasbluechips.blogspot.com/2011/02/programa-money-talks-e-questao-da.html
Concordo em gênero, número, grau, caso latino e método. Dizem que jornalistas, por ética ou sei lá, não devem indicar ações. Claro que o cara não vai sair imprimindo objetivamente em papel ou telas "strong buy, puro mico". Mas não existe jornalismo que não seja opinativo. Dou um exemplo real - Título: "OGX, de Eike, é a 1ª empresa privada a produzir no mar"; e o início do texto: "Com quase cinco meses de atraso em relação ao plano original, a OGX... Perceberam: título com viés positivo; texto com viés negativo. Investidor brasileiro em ações, além de ter CPF (5 milhões de CPFs são esperados), precisa educar-se também em análise do discurso para não comprar joio por joia. QUEM EDUCA? Ao que parece só o interessado em outro "j", o de jogo. Que nasçam novas Empiricus. Avante Universidade Empiricus.
essa MARIA HELENA já tá saindo, esqueçam ela.
ela só deu para trás com esta CVM.
chatinha ela.
Cade o Dr. Paulo Gala?
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