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Crédito dos textos:
Marcos Elias, CNPI
Rodolfo Amstalden, CNPI
Roberto Altenhofen, CNPI

11/01/2012

Calculando preços de troca entre anos - Os insights de Márcio Holland para entendermos a inflação


Prestamos especial atenção à entrevista de Márcio Holland no Valor desta segunda-feira, pois suas palavras são fartas em insights sobre a situação da economia doméstica. Márcio foi nosso professor no mestrado, é amigo da casa e, acima de tudo, secretário de Política Econômica do Governo Dilma. Se você conhece Mantega e não conhece Holland, reavalie suas amizades!

Após a confirmação de um IPCA em cima do teto de 6,5%, o tema é a inflação em 2012, sem as mesmas preocupações que marcaram o ano passado. Por quê? Três componentes devem aliviar a pressão:

(i) Sob um olhar metodológico, a atualização da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar) corrige a cesta de consumo teórica do brasileiro, com efeito prático de redução do IPCA.

(ii) O choque no preço das commodities já foi largamente assimilado ao longo de 2011.

(iii) Produtos e serviços especialmente incômodos ao equilíbrio interno (etanol, algodão, carnes, transporte aéreo) deixarão de encher tanto o saco.

Holland lembra também que o problema da inflação possui amplitude global. Cerca de 40 países mainstream terminaram o ano passado com inflação efetiva acima das metas formais ou informais. Essa tendência geral tem sérios vínculos com a injeção de liquidez usada como remédio para a crise que vivemos. Sob termos friedmanianos, a inflação é (também) um fenômeno monetário!

Porém, de toda a entrevista, o pedaço que mais apreciamos diz respeito à visão de trade-off aplicada aos 6,5% apurados em 2011. Registramos um crescimento estupendo em 2010, estamos menos sensíveis à má influência europeia e nossos índices de desemprego nunca foram tão baixos. Enquanto tentamos ampliar a formação bruta de capital fixo, a demanda agregada continua fazendo sua parte...

Tomando por base qualquer experiência de desenvolvimento ao redor do mundo, é fácil notar que contextos nos quais há grande moção de estratos sociais - a emergência de uma forte classe média, por exemplo - vêm acompanhados de desordens pontuais sobre o nível geral de preços. No caso brasileiro, esse descontrole atinge, principalmente, o setor de serviços, graças a seu caráter non-tradeable.

Em suma, foi feita uma ponderação sobre o bem-estar coletivo. O governo (Fazenda e Banco Central) sempre esteve ciente dos males da inflação, mas calculou que os custos para deixá-la abaixo dos 6,5% no ano passado seriam exagerados, antinaturais. É um cálculo plausível.

Por vezes, economistas são capazes de perseguir objetivos mais amplos e conseguem respeitar limites dados pela realidade. Algo raro e elogiável.

2 comentários:

Anônimo disse...

Realmente é algo raro e elogiável, eu ainda não tinha observado certos angulos da nossa inflação e da nossa realidade economica... excelente matéria.

Quanto aos videos do Market Movers, poderia fazer um especial sobre as construtoras/imobiliarias e as perpectivas para 2012 ? Acho que esse setor vai bombar no segundo semestre...

Valeu!

J.Henriques

Anônimo disse...

Srs,

Quer dizer Mantega, Holland e seus comparsas, que não dominam nem a simples aritimetica (ver http://maovisivel.blogspot.com/2011/05/anais-da-imbecilidade-hors-concours.html), calcularam o 'custo' de trazer a inflação para a meta. Juro que fiquei muito curioso para conferir os cálculos..devem ser antinaturais!

Aliás, vou propor um adendo à legislação conferindo que o BCB deve perseguir a meta de inflação 4,5%a.a., desde que o custo Mantega-Holland de trazer a mesma para meta não sejam ANTINATURAIS.

Eh mole? Só rindo...



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